terça-feira, 9 de março de 2010

LÍNGUA DA TERRA

Quero tornar públicos meus textos (poemas, prosa, reflexões teorias...). Desde muito cedo, menino cheio de fantasias e fantasmas, eu achava que seria um escritor. Todos os meus outros interesses e atividades derivam desse interesse inicial pela palavra e, depois, pela palavra escrita. Sempre preferi a versão aos fatos. Sempre desconfiei que o que chamamos de “fato” é apenas a nossa “versão”. Antes de ler os poemas de Manoel de Barros, eu já sabia que apenas dez por cento do que dizia era mentira e que os outros noventa por cento era imaginação mesmo.
Demorei a fazer um blog ou coisa parecida porque ainda mantinha uma visão algo romântica do veículo “livro” e uma perspectiva um tanto burguesa de minha atuação autoral. Hoje, em torno dos cinquenta anos, espero estar aprendendo a lidar melhor com a finitude. Sou escritor enquanto escrevo, não enquanto publico, fico famoso ou ganho dinheiro com isso.
Meu objetivo é postar aqui tudo o que escrevi, tenha eu publicado ou não. Quero também postar textos e imagens e idéias e sons que não foram criadas por mim, mas que despertaram meu interesse e que podem também interessar àqueles que são iguais a mim, muitos dos quais não conheço, mas que amaria e que me amariam, se nos conhecêssemos. Se encontrar tempo, pretendo até digitar textos produzidos antes de o computador pessoal fazer parte de nossas vidas. Serão, talvez, para aquele que sou hoje, textos de alguma forma ingênuos e/ou superados, mas, quem sabe, aquele que sou hoje é que é ingênuo e superado.
Um outro resultado interessante que busco com o blog é romper com um comportamento esquizóide que caracterizou, até recentemente, meu comportamento público. Sempre fiz questão (hoje, reconheço, de forma equivocada) de separar cuidadosamente o “escritor/poeta” do “professor/profissional”. Eu usava até nomes ligeiramente diferentes. Eu era o Profº. Luiz Cláudio e o escritor Cláudio Carvalho. O resultado, eu acho, é que essas duas minhas facetas acabavam perdendo substância e verdade: o “professor” virava um “burocrata” e o “poeta” um “porra-louca”. No espaço desse blog, pretendo postar textos que sejam de interesse didático e textos literários, sem fazer distinção. Espero, apenas, que sejam úteis ou inutilmente interessantes.
Escolhi o nome Língua da Terra (que originalmente é o glossônimo pelo qual os espanhóis, entre os séculos XVI e XVIII, se referiam ao vernáculo do Novo Mundo) porque meus textos (teóricos ou literários) têm sempre algo de bárbaro. Não sou exatamente um europeu civilizado. Minhas raízes afro-indígenas fazem de mim, quando muito, apenas mais um “mestiço neurastênico do litoral” que teve a sorte de estudar um pouco. Também gosto das muitas conotações eróticas e telúricas contidas no nome: Língua da Terra. E, é claro, eu queria um nome que chamasse a atenção de pessoas, como você, interessadas nessas coisas de línguas, palavras, letras, idéias...
Apesar das bandeiras, das religiões, das fronteiras, das identidades... Somos partes pequenas de um grande organismo (que alguns chamam Gaia, outros chamam Terra) e nossas vozes todas falam, no fim das contas, uma única língua: a Língua da Terra. Quero deixar aqui um pouco de minha voz.

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