FEBRE. Infância. Madrugada. Pés no chão frio. Mãos percorrendo, no escuro, paredes geladas. É preciso cruzar o corredor para chegar ao banheiro. A pouca luminosidade da sala vaza da luzinha vermelha, acesa no coração ferido de Jesus Cristo. Sorriso tranqüilo do Deus louro de olhos azuis. A mão sangrando ameaça: de dois mil não passará. Branco. Finalmente, o banheiro e seu azulejo. Branco de doer. A luz torna mais nítida a febre. Tudo ameaça se diluir em branco. Entra a mãe, mão na testa: o menino tem febre. A fantasmagoria toda é só ilusão da febre. Logo, o Melhoral irá diluir o peso do Sagrado Coração de Jesus. A mãe carrega o menino medicado no colo. Irá dormir entre ela e o pai.
(Trecho do romance, escrito há muitos anos atrás e inédito: Enquanto a Classe Média come Pizza). Para baixar versão integral, clique aqui: http://www.4shared.com/dir/34716657/182668e1/sharing.html
quarta-feira, 24 de março de 2010
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