Acredite, por favor, no que digo: é sempre impossível voltar para casa. Estamos todos condenados a um eterno degredo. Por isso sonhamos, tomamos atitudes insensatas (como oferecer todas as nossas horas restantes a desconhecidos), nos apaixonamos e imaginamos detalhadamente, com requintes de crueldade, cenas de fuzilamento. Somos estrangeiros em nossos próprios corpos, em nossas próprias almas e neste girante planeta insignificante onde outros corpos e almas também estão aprisionados pela força da gravidade.
Por isso, quanto menos gravidade tivermos, ao considerarmos nossas próprias circunstâncias e limitações, melhor. Já pesa demais sobre nossos ombros mortais a violência de um degredo absurdo. Ou seria a absurda violência de um degredo?
(Trecho do romance inédito Ø ou Porque é tão fácil perder guarda-chuvas e quase sempre impossível recuperar a inocência perdida. )
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quarta-feira, 24 de março de 2010
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