quinta-feira, 1 de abril de 2010

POÉTICA DO TEMOR ANIMAL

Não me peçam nenhum conselho.
Tenho uma alma de águia
e um coração de coelho.
Desconheço solenemente aquele sujeito no espelho.

A alma voa, vislumbra, persegue, deságua...
O coelho se abriga acuado entre meus joelhos.
Disso resulta uma certa mágoa,
o desconforto de fera caçada, o destrambelho.

E logo aqui vêm buscar conselho?
Tenho apenas na alma a tromba-d’água
fazendo tremer o coração, inútil aparelho.

Isto é tudo... Ah, e a constante mágoa
fonte do poema, antigo recurso que desaconselho.

Mas é divertido, ao menos, ver o coelho de anágua
e a alma rindo de si no espelho.


Poema de meu novo livro O rio Nãoseioquê que nasce não sei onde, breve publicado pela Corpus/WAF) . O texto de todo o livro está no link: http://www.4shared.com/dir/34716657/182668e1/sharing.html

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